<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Renata Politano]]></title><description><![CDATA[Somos as palavras que trocamos.]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg</url><title>Renata Politano</title><link>https://renatadolspolitano.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Mon, 01 Jun 2026 05:47:01 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://renatadolspolitano.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Renata Politano]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[renatadolspolitano@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[renatadolspolitano@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Renata Politano]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Renata Politano]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[renatadolspolitano@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[renatadolspolitano@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Renata Politano]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Linha do Tempo]]></title><description><![CDATA[Obrigada mais uma vez.]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/linha-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/linha-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Sun, 26 Apr 2026 15:33:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Seja o que voc&#234; &#233;. A mesma for&#231;a que te criou te d&#225; todo o espa&#231;o necess&#225;rio para voc&#234; se expressar nas suas verdades atuais.</p><p>Seja o que voc&#234; consegue ser. O universo se move ao seu redor, te dando a parte que te cabe, no tamanho exato que a tua habilidade moral consegue absorver.</p><p>Seja o que voc&#234; quer ser. O caminho &#233; longo e te d&#225; tempo para dan&#231;ar a dan&#231;a dos seus desejos mais infantis, te guiando sempre para esquinas esclarecedoras.</p><p>A vida &#233; uma linha do tempo que infalivelmente nos leva para o mesmo lugar. O nosso come&#231;o foi o mesmo, o nosso suposto final ser&#225; o mesmo. Como caminhamos nesse meio &#233; o que nos diferencia. A minha perplexidade ao te assistir &#233; totalmente proporcional &#224; minha expans&#227;o de perspectiva, que se banha numa doce gratid&#227;o. Hoje mesmo, as palavras s&#243; se transformaram em texto, porque voc&#234; me inspirou. Tocou aquele lugar conhecido, t&#227;o desconfort&#225;vel quanto a tua fala. Obrigada mais uma vez.</p><p>Suas palavras s&#227;o assertivas, suas a&#231;&#245;es s&#227;o precisas e a sua falta de consci&#234;ncia s&#243; me ensinam. E, por isso, me curvo &#224; sua exist&#234;ncia. Sua aspereza exp&#245;e os lugares mais rudimentares da minha alma. Me coloca em contato direto com tudo que j&#225; fui e tudo que n&#227;o quero mais ser. Me ajuda a separar o que definitivamente n&#227;o me serve mais e me faz ruminar o que ainda n&#227;o tenho a capacidade de n&#227;o ser. &#201; onda de progresso. &#201; li&#231;&#227;o de casa.</p><p>A princ&#237;pio, voc&#234; sempre me faz sentir inadequada, fora do lugar. O antagonismo da sua vis&#227;o proporciona cinco segundos de loucura. Entro em uma breve espiral de hesita&#231;&#227;o. Quando acordo do transe, aquele pedacinho que me iguala a voc&#234; grita e cria uma rea&#231;&#227;o na minha pele. A indigna&#231;&#227;o tem sabor estrutural, t&#227;o humano, que sem consci&#234;ncia, pode nos levar a esquecer que somos muito mais que um corpo repleto de instintos. A li&#231;&#227;o j&#225; come&#231;ou. Confesso que algum tempo atr&#225;s, essa fase era muito penosa. Me demorava nesse lugar, pois a fervura me impulsionava a me sentir viva. As esquinas da vida doutrinam a gente a acelerar o passo e hoje me esquivo com mais gra&#231;a dessa natureza bruta.</p><p>Depois que o sangue esfria, a lucidez abre alas para um apre&#231;o profundo. Me enxergo t&#227;o diferente de voc&#234;, mas t&#227;o conectada a ti. Me lembro do que nos une, esque&#231;o suas palavras e me dedico a desejar que sua caminhada seja t&#227;o verdadeira quanto a minha. A profundidade incontest&#225;vel da nossa origem comum desfaz os n&#243;s da ignor&#226;ncia. A vida &#233; uma linha de tempo de progresso para todos e n&#227;o s&#243; para alguns. Nossa complexidade proveniente de um passado inconsistente &#233; proporcional ao aperfei&#231;oamento ineg&#225;vel que a vida nos d&#225;.</p><p>Por isso, continue sendo o que voc&#234; &#233;, o que voc&#234; consegue ser e o que voc&#234; quer ser. A gente se encontra em algum lugar desse meio entre o come&#231;o e o suposto fim. Na linha do tempo da vida, as sementes sempre germinam e o sol brilha para todos.</p><p>Renata Politano</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Entrelinhas]]></title><description><![CDATA[Uma carta de amor]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/entrelinhas</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/entrelinhas</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Sat, 28 Mar 2026 16:25:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Sou fascinada pelo tempo. A ideia de sentir a jornada atrav&#233;s do passar do tempo me encanta e me faz gastar muitas manh&#227;s tentando penetrar nas obras que o ac&#250;mulo de minutos, semanas e anos faz com a gente. Nas minhas reflex&#245;es sobre o tempo, me deparo com uma constante cheia de entrelinhas.</p><p>Como algu&#233;m consegue ao mesmo tempo ser t&#227;o expl&#237;cito e se mostrar nas entrelinhas? Voc&#234; &#233; assim. Chega despercebido, mas a sutileza das suas a&#231;&#245;es &#233; imposs&#237;vel de n&#227;o ser vista. Seu anonimato se desfaz nas entrelinhas. Tantas facetas da sua ess&#234;ncia se mostram em todas as suas grandes a&#231;&#245;es, mas s&#227;o nas pequenas que a sua grandeza se faz viva. &#201; a maneira que voc&#234; serve o caf&#233;, est&#225; nas m&#227;os &#225;geis se antecipando ao desejo de um convidado, s&#227;o as l&#225;grimas teimosas de uma boa lembran&#231;a de tempos passados.</p><p>Sem perceber, voc&#234; toca com profundidade as pessoas que cruzam seu caminho por apenas 5 minutos ou por uma vida toda. Se torna um alerta de gratid&#227;o para quem j&#225; recebeu algo parecido ou inspira&#231;&#227;o para aqueles cuja falta tem definido quem eles s&#227;o. E &#233; nesse &#250;ltimo lugar que sem notar, voc&#234; transforma a aus&#234;ncia em esperan&#231;a. Sua bondade &#243;bvia e despretensiosa d&#225; forma a quem nunca viu o amor em a&#231;&#227;o. E o torna poss&#237;vel e alcan&#231;&#225;vel. Simples e comum. S&#243;lido e vivo. Suas entrelinhas geram uma delicada reconstru&#231;&#227;o no &#237;ntimo de todos que t&#234;m o privil&#233;gio de tomar do seu caf&#233;. E que caf&#233; bom. Caf&#233; com gosto de s&#225;bado &#224; tarde. &#201; leve, alegre. A torra dos seus gr&#227;os n&#227;o queimou seu caf&#233;, ela real&#231;ou a pureza dos seus sabores. Nenhuma dor te fez mais duro. Voc&#234; tem esse poder de transformar perdas em ganhos. Voc&#234; nada contra a corrente, e o cinismo do mundo se dobra diante da luz discreta da sua natureza.</p><p>Minha alma inocente e imatura se aconchegou em suas entrelinhas na inf&#226;ncia e questionou suas entrelinhas na rebeldia da juventude. Hoje, ela reverencia o seu todo. Como a perfei&#231;&#227;o nunca foi seu alvo,  na verdade nunca foi sua pauta, voc&#234; se tornou a prova viva de todo conceito de progresso &#237;ntimo que tenho meditado tanto nos &#250;ltimos tempos. N&#227;o tem esfor&#231;o e nem tentativas. Tem apenas o compromisso de ser o que deve ser. E essa simplicidade, que confunde as almas opacas, traz clareza para quem mira a felicidade. E felicidade &#233; poder caminhar com voc&#234; t&#227;o de perto. &#201; te achar, sem precisar te procurar. &#201; sentir o cheiro do caf&#233; sendo passado e j&#225; saber o gosto. &#201; saber que mesmo constatando que meu caf&#233; nunca ter&#225; o gosto do seu, ele tem a mesma torra que desperta meus sabores e gera minhas pr&#243;prias entrelinhas.</p><p>Renata Politano</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Incrementos Invisíveis]]></title><description><![CDATA[Sobre a pressa]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/incrementos-invisiveis</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/incrementos-invisiveis</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Mon, 16 Feb 2026 17:35:29 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Por que tanta pressa? Nem abri os olhos e j&#225; pensei em no m&#237;nimo 3 tarefas a serem executadas. A cachorra precisa passear, a apresenta&#231;&#227;o que ficou pela metade ontem e colocar a manteiga na lista do supermercado. Ainda est&#225; escuro e de novo meu corpo acordou antes de o despertador tocar. Insisto em ligar o alarme diariamente, mesmo sabendo que nunca preciso dele. Meu c&#233;rebro vence a corrida.</p><p>Meu padr&#227;o sempre foi a a&#231;&#227;o. A sensa&#231;&#227;o do movimento faz a gente acreditar que estamos no controle. Em parte, &#233; verdade. Se prolongar na in&#233;rcia nos inabilita a mover montanhas, mas rodopiar constantemente tamb&#233;m &#233; um sabor de in&#233;rcia. &#201; a hipnose da vida moderna. Apesar de n&#227;o ter um pingo de sangue esportista dentro de mim, sempre me vi correndo. No in&#237;cio da vida adulta, o vento batendo no meu rosto me dava a certeza de que existia um lugar a ser alcan&#231;ado. Corri sem olhar para tr&#225;s. Olhar para tr&#225;s nem passava pela minha cabe&#231;a, s&#243; queria olhar para o horizonte. Saudades dessas pisadas desalinhadas. Inoc&#234;ncia genu&#237;na de quem est&#225; s&#243; come&#231;ando, e h&#225; tanta beleza em querer tudo. Nessa &#233;poca era tudo muito f&#237;sico. O corpo era forte e as pernas tinham uma autonomia tremenda. Eu n&#227;o percebia quase nada &#224; minha volta. Queria volume, algo palp&#225;vel, f&#225;cil de ver.  Ineg&#225;vel. O detalhe n&#227;o era importante. Tinha muita coisa grande ocupando todo o espa&#231;o. Quando estamos come&#231;ando, o &#8220;o que&#8221; &#233; muito mais importante que o &#8220;como&#8221;. O &#8220;o que&#8221; &#233; o objetivo, e o &#8220;como&#8221; puro instinto.</p><p>Absolutamente nenhum passo &#233; em v&#227;o. Voc&#234; n&#227;o precisa notar os refinamentos de alma que a vida te d&#225; para eles existirem. Eles acontecem no sil&#234;ncio, sem nenhum holofote.</p><p>A vida &#233; um conjunto de incrementos invis&#237;veis. S&#227;o os 15 segundos observando um porteiro idoso em seu posto de trabalho e se perguntar se ele desejaria estar sentado na sua varanda ou trabalha por op&#231;&#227;o nessa altura da vida. &#201; aquela frase que voc&#234; ouviu de um conhecido em uma mesa de jantar que te mudou para sempre &#8211; e ele nunca vai saber. &#201; voc&#234; sendo voc&#234; mesma, tomando sorvete e inspirando uma pr&#233;-adolescente a fazer mais perguntas a si mesma. &#201; se dar conta que seu pai est&#225; envelhecendo e que ao brincar com sua filha, ele se torna prova viva que n&#227;o tem como nossa ess&#234;ncia se dissipar no nada. Incrementos invis&#237;veis que se acumulam e formam uma consci&#234;ncia po&#233;tica, que desacelera as pernas e clareia a mente. &#201; a alma que entende que o &#8220;como&#8221; muda tudo, e que ele se torna &#8220;o que&#8221; nas curvas da vida.</p><p>Hoje, n&#227;o sinto o vento bater no meu rosto como antes, e minhas pernas n&#227;o s&#227;o mais t&#227;o fortes. Parei de correr. Hoje, a minha pressa &#233; outra. &#201; o desejo leal de n&#227;o querer perder tempo com o desimportante. N&#227;o quero mais fazer sala. N&#227;o quero mais falar como o inverno est&#225; ameno esse ano. N&#227;o quero deixar a conversa dif&#237;cil para depois, e n&#227;o quero parar de imaginar a minha vida amanh&#227;, sendo a vers&#227;o mais propriet&#225;ria de mim mesma. &#201; o paradoxo de fazer o eterno caber em cada incremento invis&#237;vel que a vida me presenteou. E o tempo n&#227;o mede o quanto demora. Desmorona a exist&#234;ncia de um lugar a se chegar e vira pano de fundo da m&#250;sica que &#233; a vida.</p><p>Sigo ligando o alarme diariamente, sabendo que ele nunca vai precisar tocar. Minha consci&#234;ncia despertou e minha alma nunca dormiu.</p><p>Renata Politano</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pedacinhos]]></title><description><![CDATA[Uma Carta de Amor]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/pedacinhos</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/pedacinhos</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Feb 2026 20:57:32 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ser&#225; que nossos tempos s&#227;o diferentes? Ser&#225; que voc&#234; me reconheceria se pudesse ler meus pensamentos? Ser&#225; que eu te reconheceria depois de tanto tempo sem a mat&#233;ria que te ensinou tanto? Perguntas que sei as respostas e que alimentam as poesias dentro de mim. Voc&#234; sabe que sou outra vers&#227;o de mim mesma. Voc&#234; sabe que estou amando envelhecer. Voc&#234; sabe que tenho visto al&#233;m. E s&#243; consigo te imaginar sorrindo me vendo ser m&#227;e. Sei que voc&#234; se v&#234; em mim, sabe dos pedacinhos que me deu. Sabe que herdei a mesma for&#231;a que correu no seu sangue. E sei que &#224;s vezes deseja ter feito muita coisa diferente. Pois eu te digo que n&#227;o. Eu desejo tudo igualzinho. Os seus pedacinhos se encaixaram nos meus, e nossas melhores vers&#245;es nasceram desse encaixe.</p><p>Me dei conta que voc&#234; vive um pouquinho da vida futura que tantos de n&#243;s ainda n&#227;o conseguimos compreender. E sim, nossos tempos s&#227;o diferentes. O meu se arrasta e o seu voa. Faz pouco tempo que realizei o quanto voc&#234; me deixou ser. O quanto me dava licen&#231;a para me achar. Me permitiu criar pedacinhos s&#243; meus. Daqueles t&#227;o diferentes dos seus, que &#224;s vezes te assustava. Mas voc&#234; fazia caber, e voc&#234; se encaixava em mim. Viveu parte dos seus sonhos a partir dos meus.</p><p>Quando voc&#234; se foi, nosso tempo parou. Se arrastou mais devagar. A aus&#234;ncia f&#237;sica faz isso. Faz a gente perder a no&#231;&#227;o da realidade e o invis&#237;vel fica dif&#237;cil de se sentir. A dor toma todo o espa&#231;o, e a gente tem que renascer. &#201; como ter uma nova vida dentro da sua pr&#243;pria vida. Tivemos que reaprender tanta coisa. Mas como o tempo &#233; governan&#231;a, a gente seguiu o plano, e voc&#234; seguiu com a gente.</p><p>Nos momentos que te sinto, repito mil vezes que te amo, como se voc&#234; n&#227;o soubesse. As l&#225;grimas de uma emo&#231;&#227;o indescrit&#237;vel se misturam com uma gratid&#227;o profunda, que nenhum texto meu consegue explicar. As palavras n&#227;o s&#227;o boas o suficiente, n&#227;o h&#225; vocabul&#225;rio para isso. Mas sigo tentando, e pe&#231;o aos anjos para te entregarem essa mensagem num papel perfumado com uma ess&#234;ncia que s&#243; existe na vida futura. Me fortale&#231;o nesses breves encontros. Te vejo mais, te deixo me ver mais. Te entrego meus pensamentos e suplico em sil&#234;ncio que voc&#234; reconhe&#231;a os seus pedacinhos em mim e veja como eles se encaixam perfeitamente nos meus.</p><p>E na ambiguidade dos meus desejos, pe&#231;o ao tempo para ele voar, mas n&#227;o impedindo que eu sinta a brisa suave das li&#231;&#245;es amorosas da vida. Pe&#231;o para seu tempo se alinhar com o meu, mas n&#227;o limitando o seu voo. Pe&#231;o por mais encontros, mais textos, mais palavras. Pe&#231;o para seus pedacinhos continuarem a brilhar em mim. E que quando um dia, eu sentir o perfume dessa carta, nossas vidas futuras sejam o presente e sejam tudo que sempre desejamos.</p><p>Renata Politano</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Fato Consumado]]></title><description><![CDATA[Quando a beleza de uma cidade desaparece na viol&#234;ncia]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/fato-consumado</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/fato-consumado</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Thu, 29 Jan 2026 00:32:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dos maiores prazeres da minha vida &#233; acordar cedo no fim de semana. Bem cedo, tem que estar escuro. Meus p&#233;s n&#227;o se perdem no breu, j&#225; sei caminhar entre os m&#243;veis sem trope&#231;ar. Esse breve momento de solitude em uma casa que vive cheia &#233; b&#225;lsamo para a minha alma. Quando n&#227;o sou silenciosa o suficiente, dura alguns minutos, j&#225; que a minha pequena tem ouvidos agu&#231;ados. Mas frequentemente minha cautela me presenteia com uma hora inteira de deleite. Tor&#231;o para o sol ter pregui&#231;a e me dar alguns minutos a mais. O sil&#234;ncio &#233; rem&#233;dio e tamb&#233;m ant&#237;doto.</p><p>Essa semana muito aconteceu. Tanto que precisaria de mil manh&#227;s na escurid&#227;o. J&#225; disse que olhar para dentro nunca &#233; f&#225;cil, mas olhar para fora tamb&#233;m tem sido do&#237;do. Mas eu n&#227;o me engano, o que incomoda meus olhos s&#243; exp&#245;e o que me consome por dentro.</p><p>&#8220;No fundo, eu julgo o mundo um fato consumado e vou me embora&#8221;, j&#225; dizia Djavan. E tem gente que n&#227;o cr&#234; que a arte muda o mundo.</p><p>A cren&#231;a no nosso mundo como fato consumado normaliza o absurdo. Cria uma casca t&#227;o dura, que a toler&#226;ncia na &#250;nica solu&#231;&#227;o vi&#225;vel te cega. E n&#227;o importam as consequ&#234;ncias. L&#225;grimas derramadas, rela&#231;&#245;es rompidas e esperan&#231;as degoladas, s&#227;o s&#243; efeitos colaterais inevit&#225;veis. E a gente se acostuma a pagar o pre&#231;o da passividade. Atamos nossas m&#227;os porque mexer no imut&#225;vel nos parece imposs&#237;vel. E a capacidade de vermos o outro se limita a tal ponto, que tudo se torna n&#243;s mesmos. A gente desenvolve uma doen&#231;a autoimune porque a alma n&#227;o aguenta e transborda pelos poros. N&#243;s n&#227;o fomos feitos para sofrer, a gente escolhe a dor, cria o padecimento. &#201; dif&#237;cil lembrar que o outro tamb&#233;m v&#234; o mundo como fato consumado, e que a dor que ele te causou, &#233; apenas consequ&#234;ncia da SUA &#250;nica solu&#231;&#227;o. Ele tamb&#233;m n&#227;o questiona, segue no mesmo erro que voc&#234;. A casca &#233; t&#227;o dura quanto a sua, e tua incapacidade te de enxergar, gera essa imensa insensatez.</p><p>S&#227;o nas manh&#227;s escuras dos meus s&#225;bados que crio coragem e toco o intoc&#225;vel. O cheiro do caf&#233; cria o ritual. O sil&#234;ncio da casa o ambiente. Abro as portas sem bater, entro nos lugares e contesto o que vejo. E me demoro. Me demoro, pois nada na vida &#233; instant&#226;neo. &#201; tudo eterno. Se comprometer com seu pr&#243;prio sil&#234;ncio &#233; um ato de coragem, e &#233; maior do que qualquer grito desesperado. N&#227;o &#233; rea&#231;&#227;o, &#233; a&#231;&#227;o. &#201; sair de uma in&#233;rcia t&#227;o s&#243;lida quanto uma rocha que s&#243; se desgasta com infinitas batidas das ondas do mar. &#201; ato corajoso porque, depois que voc&#234; desmente verdades, a parte mais dif&#237;cil come&#231;a. O que eu coloco no lugar? F&#225;cil saber o que n&#227;o se gosta, dif&#237;cil mesmo &#233; saber o que se quer. Nossa alma n&#227;o tolera o vazio.</p><p>Amanh&#227; &#233; domingo. N&#227;o preciso de despertador. Vou deixar o caf&#233; mo&#237;do para n&#227;o fazer barulho e ser duplamente cautelosa. N&#227;o me permito ser algu&#233;m de &#250;nica solu&#231;&#227;o. Meu mundo n&#227;o &#233; fato consumado, e n&#227;o vou me embora.</p><p>Renata Politano</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Futuro]]></title><description><![CDATA[Nem toda not&#237;cia ruim &#233; ruim]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/futuro</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/futuro</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Wed, 21 Jan 2026 20:35:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ando pensando no futuro. Tenho minhas d&#250;vidas do quanto ele &#233; relevante ou at&#233; real. A ideia do estar por vir se torna facilmente uma armadilha para quem caminha distra&#237;do. Dif&#237;cil escrever sobre o futuro, porque ele &#233; rodeado de clich&#234;s: &#8220;o futuro a Deus pertence&#8221;, &#8220;o futuro &#233; agora&#8221;, &#8220;quem planta colhe&#8221;. Tudo verdade, pouco instrutivo. Did&#225;tica mesmo &#233; a vida.</p><p>Um fato novo muda tudo, chega como avalanche despertando uma consci&#234;ncia quase instant&#226;nea. Aquela vis&#227;o de futuro semeada por tanto tempo n&#227;o cabe mais. A mente voa, come&#231;a a buscar solu&#231;&#245;es paliativas e permanentes. Come&#231;a a tra&#231;ar planos sufocantes, que tiram o nosso ar e de quem est&#225; voando com a gente. Dizem que a raz&#227;o &#233; o oposto da emo&#231;&#227;o. Grande mentira na minha opini&#227;o. Somos seres org&#226;nicos, onde tudo vem do mesmo lugar. A raz&#227;o e a emo&#231;&#227;o andam sempre juntas e se alternam na lideran&#231;a da caminhada, dependendo do momento da vida. Quando uma cansa de guiar, a outra toma a frente. &#201; um ciclo infinito de tentativa de controle do destino. Mas quando o fato novo chega, elas se entrela&#231;am, se abra&#231;am pela causa. S&#243; juntas d&#227;o conta. E a gente leva um tempo para entender essa nova din&#226;mica, pois nunca navegamos esses mares.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://renatadolspolitano.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>A emo&#231;&#227;o precisa de espa&#231;o e a raz&#227;o de sil&#234;ncio. Somos obrigados a criar esse ecossistema para as coisas se encaixarem. Para quem sempre priorizou o mental, achando que esse era o caminho mais seguro, vai se assustar com o tamanho do espa&#231;o que a emo&#231;&#227;o ocupa. Tamb&#233;m vai estranhar com o banho de amor que ela traz consigo. &#201; estranho porque &#233; um amor muito diferente do que estamos acostumados. &#201; um amor universal, que abre todas as portas trancadas. Amor universal &#233; empatia sem necessidade de contexto. E o fato novo n&#227;o precisa de contexto. A raz&#227;o &#233; muito respeitosa e d&#225; todo o espa&#231;o do mundo para a emo&#231;&#227;o, mas nunca a abandona. Ela &#233; barreira que protege, mas n&#227;o limita, e utiliza o sil&#234;ncio para fortalecer.</p><p>Quando a gente se permite pisar nesse ch&#227;o, a alma entende. Entende que uma nova vis&#227;o do todo se expande. Entende que o nosso corpo &#233; s&#243; inv&#243;lucro tempor&#225;rio, que &#233; casa para nossa ess&#234;ncia. Entende que a vida &#233; fagulha na eternidade e que nossa exist&#234;ncia &#233; maior do que tudo. O que a gente v&#234; ou toca n&#227;o &#233; t&#227;o relevante assim. E o fato novo n&#227;o precisa de plano de a&#231;&#227;o detalhado. Ele &#233; a pr&#243;pria solu&#231;&#227;o impregnada de uma f&#233; atenta a todas as nossas particularidades. Os nossos sentidos ficam mais agu&#231;ados e entendemos todas as li&#231;&#245;es. E a gente muda para sempre, se transforma e fica mais f&#225;cil ser leal &#224; nossa ess&#234;ncia.</p><p>E o futuro? O futuro &#233; recompensa.</p><p>Renata Politano</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://renatadolspolitano.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pasta Fresca]]></title><description><![CDATA[Uma Carta de Amor]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/pasta-fresca</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/pasta-fresca</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Mon, 19 Jan 2026 17:34:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>S&#227;o basicamente 3 etapas. Simples, sim. Mas trabalhosas. Exige paci&#234;ncia, destreza com as m&#227;os e um toque de alma, que n&#227;o est&#225; na lista de ingredientes. Ele tem todo um processo. Sistem&#225;tico, mas cheio de for&#231;as invis&#237;veis. E como ele ama as for&#231;as invis&#237;veis. Pesa todo o material, cria uma montanha sim&#233;trica e perfeita. Tem que estar bonita e intencional. &#201; o come&#231;o de tudo. O ovo incorporado com um garfo come&#231;a a dar forma. Um amarelo fosco e brilhante ao mesmo tempo. <em>&#8220;Nessun Dorma&#8221;</em> tocando, temperando a massa de mem&#243;rias passadas e criando mem&#243;rias futuras. Todos n&#243;s nos silenciamos em respeito ao momento. Nossas m&#227;os n&#227;o est&#227;o enfarinhadas, mas tamb&#233;m estamos dentro do processo. Acho que somos ingredientes.</p><p>A massa precisa de for&#231;a e jeito para ganhar forma e consist&#234;ncia. &#201; pr&#225;tica. &#201; liga. Agora, o descanso necess&#225;rio. A textura s&#243; fica boa se o tempo do descanso for respeitado. O desenvolvimento do gl&#250;ten nasceu de suas m&#227;os, mas agora precisa achar o seu lugar, relaxar. A umidade dos ovos e da &#225;gua s&#243; cria homogeneidade se permitirem e aceitarem os ingredientes secos, e s&#243; o tempo e o descanso fazem isso.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://renatadolspolitano.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>A segunda etapa &#233; a mais prazerosa de ver. Ele separa a por&#231;&#227;o ideal, na quantidade que n&#227;o exige uma balan&#231;a para pesar. Ele apenas sabe o quanto precisa. Nem muito, nem pouco. Ele nunca erra. A massa est&#225; el&#225;stica, lisa e perde aquela forma r&#250;stica de quando foi criada. Agora, ela est&#225; mais perto de ser o que deve ser, do que nasceu para ser. <em>&#8220;Caruso&#8221; </em>no fundo, admira o olhar de orgulho e paix&#227;o em seus olhos. A gente permanece em sil&#234;ncio. Cada um na sua, sabendo que somos ingredientes. A massa se estica, vai at&#233; o c&#233;u. &#201; quase transparente, mas n&#227;o &#233;, n&#227;o. Ela n&#227;o rasga. Precisamente, ele sabe o seu limite de elasticidade, e ele sabe o momento de parar.</p><p>Terceira etapa, o momento final. Fettuccine ou spaghetti? Depende do molho, depende do dia, depende da mem&#243;ria que salgou a massa. Mas sempre aquela cortina quase esvoa&#231;ante, que dan&#231;a no varal onde vai secar. N&#227;o vai secar para esturricar, vai secar para n&#227;o grudar, para consolidar a sua estrutura. Para finalmente ser o que nasceu para ser.</p><p>Eu admiro &#224; dist&#226;ncia, me sinto sendo essa massa. Me sinto grata por ser essa massa. Ele conhece meus ingredientes. No come&#231;o precisava pesar para saber a quantidade perfeita, mas agora, ele s&#243; sabe. A temperatura das suas m&#227;os &#233; ideal para me manusear. Meus ingredientes separados n&#227;o fazem muito sentido, mas ao seu toque, me transformam. Ele sabe o que eu nasci para ser, mais do que eu mesma. &#192;s vezes, s&#243; me dou conta quando estou sendo cortina. E ele me viu desde o princ&#237;pio. Na verdade, ele sente o meu gosto, antes de me tocar. S&#243; sou o que sou, porque ele me deu o tempo de descanso. Ele sabe o quanto preciso desse tempo. Aprendeu que, se se apressar, n&#227;o d&#225; liga. &#201; minha natureza, natureza de pasta fresca. Ele me espera ficar pronta. E quando sabe que estou, me estica at&#233; o c&#233;u, me d&#225; forma e deixa a m&#250;sica da vida dar o toque final. Crio estrutura nas suas m&#227;os e ganho gosto com seus infinitos molhos aveludados, tamb&#233;m repletos de mem&#243;rias. E viro arte. Seu paladar me cria e recria, e ele me delicia. Sabe que eu sou feita de meus pr&#243;prios ingredientes, mas que suas m&#227;os liberam meus sabores.</p><p>Enquanto me degusta, j&#225; est&#225; pensando na pr&#243;xima vez. Em como aperfei&#231;oar a t&#233;cnica, mal sabendo que n&#227;o tem como ficar melhor. J&#225; &#233; tudo o que preciso, e no sil&#234;ncio, desejo que continue procurando a perfei&#231;&#227;o e sigo ansiosamente esperando ser sua massa de manobra.</p><p>Renata Politano</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://renatadolspolitano.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Solo Fértil]]></title><description><![CDATA[Sobre Deus]]></description><link>https://renatadolspolitano.substack.com/p/solo-fertil</link><guid isPermaLink="false">https://renatadolspolitano.substack.com/p/solo-fertil</guid><dc:creator><![CDATA[Renata Politano]]></dc:creator><pubDate>Sun, 18 Jan 2026 17:09:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N6mq!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08d81cf9-d831-44ce-9fb7-fa76930c2da2_640x640.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Fiz o erro amador de dizer aos meus filhos uma vez que Deus era tudo. Era tudo que vemos, tocamos e sentimos. Ele era eles e tamb&#233;m era eu. Claro que a minha falta de did&#225;tica gerou infinitas perguntas que at&#233; hoje s&#227;o jogadas no ar no caminho da escola. &#8220;Se Deus &#233; tudo, ele &#233; essa mesa?&#8221; &#8220;Ele &#233; o ch&#227;o? E a gente pisa nele?&#8221; Uma leve preocupa&#231;&#227;o fundamentou essa &#250;ltima pergunta, era vis&#237;vel em seus olhinhos. Minha incapacidade em dar explica&#231;&#245;es mais sensatas, me paralisou por alguns minutos e percebi palavras sem sentido saindo da minha boca. Internamente, me perguntei se sabia mesmo o que era Deus, consegui me desviar das perguntas momentaneamente mandando todo mundo ir brincar. Ganhei tempo.</p><p>Mas como os levo todos os dias para a escola, e por algum motivo indescrit&#237;vel, esse momento desperta um ecossistema perfeito para esses pequenos c&#233;rebros filosofarem sobre os mais diversos temas, o interrogat&#243;rio n&#227;o tardou a voltar. &#8220;Se Deus &#233; tudo, ele &#233; o vidro do carro?&#8221; T&#227;o despreparada quanto na primeira vez, voltei a balbuciar explica&#231;&#245;es nada razo&#225;veis. Cheias de palavras clich&#234;s como energia, vibra&#231;&#227;o e luz. Dez minutos de vergonhosas argumenta&#231;&#245;es chegaram ao fim quando entrei no estacionamento da escola. Agradeci silenciosamente o sistema de zoneamento escolar que me coloca a 3 milhas de dist&#226;ncia dali. Acho que as crian&#231;as se acostumam a lidar com suas perguntas sem respostas, e mais ainda com r&#233;plicas evasivas de adultos cheios de certezas. Ainda bem que elas s&#227;o pacientes com a gente e nunca param de perguntar.</p><p>Nunca tive a inten&#231;&#227;o de passar minhas cren&#231;as ou prover uma base religiosa para os meus filhos. Me lembro de pensar nisso na minha primeira gravidez. Tomei essa decis&#227;o conscientemente, refletindo sobre a minha pr&#243;pria jornada. &#201; uma mistura de acreditar que cada uma precisa e tem o direito de construir o seu pr&#243;prio percurso espiritual, com a consci&#234;ncia de que eu n&#227;o sei se estou mesmo certa nas minhas convic&#231;&#245;es. Impor nossos ideais de f&#233; a seres em desenvolvimento &#233; de tamanha responsabilidade, que beira a invas&#227;o. Ao mesmo tempo, me sinto impelida a instig&#225;-los na procura. Sei o quanto &#233; necess&#225;rio tocarmos o intang&#237;vel para nos sentirmos completos. Mas &#233; t&#227;o dif&#237;cil ensinar a sentir, n&#227;o tem metodologia que preste. Por isso, ter uma religi&#227;o &#233; t&#227;o f&#225;cil. Ela te d&#225; o caminho das pedras, &#233; s&#243; voc&#234; seguir as instru&#231;&#245;es e pronto. Se Deus fosse &#8220;data-driven&#8221;, com certeza teria indicadores baixos de religiosos que O sentem.</p><p>Decidi ent&#227;o mostrar um v&#237;deo de uma semente germinando. O v&#237;deo acelerado &#233; descritivo no processo. Primeiro, as ra&#237;zes se formam, criando v&#237;nculo com a terra. Depois, elas come&#231;am a empurr&#225;-la, abrindo caminho para brotar do solo. Muito acontece antes do verde aparecer e emergir aos nossos olhos. Sem conseguir fugir das palavras batidas, tentei explicar que Deus &#233; a for&#231;a invis&#237;vel que faz todo esse processo acontecer, gerando progresso inevit&#225;vel. Ele s&#243; precisa de solo f&#233;rtil. Entender que somos solo &#233; s&#243; o come&#231;o. Saber que somos propriet&#225;rios de nossa fertilidade &#233; o desafio. Me ver como solo f&#233;rtil, sabendo que eu mesma construo esse estado, me faz sentir Deus de forma quase material. Minhas ra&#237;zes v&#227;o se fortalecendo, e vou abrindo caminhos para florescer. Sim, muito acontece antes do verde aparecer. E a for&#231;a invis&#237;vel nunca falha. &#201; pano de fundo que se movimenta num ritmo particular de cada um, em uma individualidade absurda. N&#227;o h&#225; pressa. A velocidade do tempo &#233; proporcional &#224; nossa capacidade de absorver as li&#231;&#245;es. Ouvi outro dia que o trauma &#233; li&#231;&#227;o n&#227;o aprendida. Porque se voc&#234; aprende, se torna f&#233;rtil.</p><p>Assim, espero ser adubo para meus filhos, e que ao me verem na busca da minha fertilidade, seja o suficiente para buscarem a deles. E o resto &#233; fotoss&#237;ntese da vida. </p><p>Renata Politano</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>